SUCESSÃO NO AGRO: NÃO BASTA TRANSMITIR A TERRA. É PRECISO PREPARAR QUEM CONTINUARÁ PRODUZINDO. Quando se fala em sucessão no agronegócio, é comum pensar imediatamente em inventário, holdings, doações, testamentos e planejamento tributário. Tudo isso é importante. Mas existe uma questão anterior: quem continuará produzindo? A sucessão rural não consiste apenas em transmitir terras, máquinas ou patrimônio aos filhos. Pressupõe transmitir conhecimento, responsabilidade, capacidade de gestão e, principalmente, criar condições para que a próxima geração queira permanecer vinculada à atividade rural. Essa preocupação já ultrapassou os limites das famílias produtoras e passou a integrar a agenda institucional do agronegócio brasileiro. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por meio de sua Comissão Nacional de Novas Lideranças do Agro, colocou entre suas prioridades para 2026 o desenvolvimento de novas lideranças e a sucessão geracional, buscando identificar experiências capazes de estimular a permanência e a atuação dos jovens no setor. No mesmo sentido, a Lei nº 15.178/2025 instituiu a Política Nacional de Juventude e Sucessão Rural, que serve de fundamento para uma iniciativa bastante oportuna neste momento: o Prêmio Jovem Geração Raiz da Agricultura Familiar. O concurso pretende selecionar 30 iniciativas coletivas protagonizadas por jovens rurais de 15 a 29 anos, relacionadas à sucessão rural, desenvolvimento sustentável e fortalecimento das juventudes do campo. Serão 30 prêmios de R$ 10 mil, totalizando R$ 300 mil. Entre os eixos contemplados estão terra e território, inclusão produtiva, trabalho e renda, educação no campo, qualidade de vida, participação, comunicação e democracia. Mais importante do que a premiação, entretanto, é aquilo que essa iniciativa simboliza: “não existe sustentabilidade do agronegócio sem renovação geracional.” E essa reflexão precisa chegar às famílias produtoras. O planejamento sucessório não deveria começar somente quando surge a preocupação com a transferência patrimonial. A preparação dos sucessores precisa acontecer muito antes. É necessário permitir que os jovens conheçam o negócio, participem gradualmente das decisões, recebam formação técnica e empresarial e compreendam custos, contratos, crédito, tecnologia e gestão. Também é preciso reconhecer uma distinção fundamental: ser herdeiro não significa necessariamente ser gestor. Nem todos os filhos precisam administrar a propriedade. Mas alguém precisa estar preparado para fazê-lo. É justamente nesse ponto que o planejamento jurídico encontra a governança familiar. Estruturas societárias, acordos e protocolos familiares, definição de funções, regras para ingresso dos descendentes na administração e mecanismos para prevenção de conflitos podem ser tão importantes quanto a própria organização patrimonial. Uma sucessão verdadeiramente estruturada deve trabalhar, portanto, três dimensões: “patrimônio, gestão e pessoas.” Sem patrimônio organizado, a sucessão pode fragmentar a propriedade. Sem governança, conflitos familiares podem comprometer o negócio. E sem uma nova geração preparada e interessada, podemos transmitir juridicamente a terra sem conseguir transmitir aquilo que realmente lhe confere sentido econômico: a atividade produtiva. O campo brasileiro foi construído por gerações que receberam conhecimento de seus pais e avós, incorporaram novas tecnologias, atravessaram crises e continuaram produzindo. Preservar essa tradição não significa impedir mudanças. A melhor forma de preservar o legado de quem veio antes é preparar quem virá depois. Oportunidade: as inscrições para o Prêmio Jovem Geração Raiz da Agricultura Familiar terminam amanhã, 31 de agosto de 2026, às 23h59 (horário de Brasília). A participação é gratuita e destinada às iniciativas coletivas que preencham os requisitos estabelecidos no edital.
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30 de agosto de 2026
SUCESSÃO NO AGRO: NÃO BASTA TRANSMITIR A TERRA. É PRECISO PREPARAR QUEM CONTINUARÁ PRODUZINDO. Quando se fala em sucess...

Lucas de Oliveira
Colunista Alyss
